quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

Figuras

- Maria José de Matos Ribeiro

Filha de Manuel da Silva Matos, oriundo do Louriçal e fundador da Estalagem (mais tarde a pensão, café restaurante Beira Alva) foi talvez a figura mais carismática da Ponte de Mucela, nascida em 1858 e falecida em 1940.

Teve uma vida atribulada, em 1918 morreram-lhe dois filhos, um em casa e outro no Brasil, para onde tinha emigrado, poucos anos depois morreu-lhe a nora, Maria Carmina Morgado, que tinha assumido o controle da actividade comercial, e em 1926 morreu-lhe o marido, ficando a testa do negócio com três netos para acabar de criar.

Tempos depois, viu-se a braços com uma acção judicial movida pelo neto por afinidade, entretanto regressado do Brasil, sem qualquer razão, como veio a provar-se em juízo. Mas até que tivesse provado a sua inocência ficou privada de todos os haveres, arrestados pelo tribunal.

A tudo resistiu com estoicismo e dignidade, desenvolvendo a actividade comercial e criando e casando os netos. Era pessoa de sólida educação e muito respeitada por todos, sendo mesmo muitas vezes procurada na esperança de ouvir o seu concelho avisado.

De cabeça integralmente branca era uma veneranda figura.

- Juiz Desembargador Jaime Nunes Serra foi, no século xx, o mais ilustre filho da Ponte de Mucela. Muito respeitado, gozava de geral simpatia.

- José Paula Serra, neto de Manuel Serra e filho de José Serra Campos pessoas de referência no seu tempo, foi o único descendente directo a fixar se na Ponte de Mucela, já que os irmãos António, Manuel e Maria emigraram para o Rio de Janeiro, e embora cá tivessem vindo algumas vezes por lá ficaram.

Desenvolveu as actividades do pai: fabricação de cal preta e comércio por grosso de madeiras, vinhos e derivados. Trabalhador dedicado e franco alinhou com os já nossos conhecidos Caetaninho, Octávio e Álvaro no desenvolvimento local. Deixou-nos ainda novo (final da década de sessenta com menos de 45 anos) fazendo por ignorar o seu débil estado de saúde, deu prioridade ao trabalho. Muito haveria a esperar de si. Deixou muitas saudades.

- Madalena Simões Coimbra, mais conhecida por Leninha era uma mulher de armas que muito apreciei. Após largos anos no Rio de Janeiro, regressou à Ponte de Mucela onde abraçou as actividades deixadas por seu pai, António Joaquim Coimbra (Marinheiro) moagem de cereais, lagar de azeite e agricultura. Mulher desenrascada foi também pessoa local de referência contribuindo para o desenvolvimento da sua terra. Gostava de jogar a Sueca alinhando com os Octávio e Caetaninho com os quais mantinha relação franca. Reconhecendo as suas qualidades Octávio apelidou a de Fortaleza.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

FACTOS

Os bailes da Ponte eram dos mais frequentados das redondezas. Desde muito pequenos recintos foram evoluindo até chegarem à garagem do Caetaninho. Das instalações mais exíguas estou a recordar uma sala do Joaquim Pereira com menos de 20 metros quadrados e da do Zé Marques da Carvalheira com 40 ou mais, alumiadas a petróleo ou gasómetro e mais tarde a petromax. Os proprietários vendiam café e aguardente no Inverno e refrescos no Verão a fim de angariarem uns tostões para a luz e não só. Para os Músicos faziam-se peditórios ou sorteios. Também os animadores foram diversos do Almeida da Sobreira, mais conhecido pelo Cego da Sobreira, com a sua guitarra e a sua voz, ao Albano barbeiro com a sua flauta, a variados bandolinistas e ao Perna Marota de Paradela com o seu bandolim, acompanhado á viola pelo António dos Santos, também conhecido pelo António da Justina (taxista em Lisboa que devido à carência de gasolina e pneus durante a 2ª Grande Guerra se viu obrigado a recolher a Paradela) à viola que bem dominava e também cantava.


Mais tarde começaram a aparecer os conjuntos e a animação era redobrada. O mais antigo talvez tenha sido a Tuna do Travasso.

Octávio também era um bom animador organizando concursos e danças especiais, como por exemplo as restritas a animais em que as alcunhas é que definiam quem tinha direito a entrar na roda: burros, bichos, pegas, macacos, etc.