quarta-feira, 31 de julho de 2013

Emigrantes


Vários naturais da PM emigraram principalmente para o Brasil. Houve um que foi empregado nos transportes públicos – elétricos ou ónibus (como lá chamam aos autocarros) – em que o registo das passagens vendidas era feito através dum contador de campainha acionado pelo cobrador que acabou por ser despedido porque como, ele dizia, “telim telim, dois para eles e um para mim”!

A maioria tirou rego direito como por exemplo os irmãos Álvaro e António Rosa dos Santos e Álvaro e Manuel Rodrigues.                                                                                                                                

Merece particular destaque o falecido Armando Costa – o Armando Português como era lá conhecido – que deixou uma grande organização no ramo dos acessórios para automóveis. Neto do Adelino Serralheiro, já nosso conhecido, foi empregado do Alípio da Sobreira – bom mestre – e evoluiu muito na vida militar. Seu filho ainda jovem morreu cedo de desastre de automóvel e a irmã, cujo marido foi entretanto assassinado, não conseguiu a continuidade que se esperaria.

Pessoas determinantes

Finalmente consegui mais elementos que me permitem escrever sobre famílias que tiveram a sua influência na história da PM: António Joaquim Coimbra que herdou de seu pai a alcunha de Marinheiro – que foi – foi emigrante em Belém do Pará onde desenvolveu a atividade de leiteiro no tempo em que o gado andava nas ruas e a ordenha era direta para as vasilhas dos clientes. Reuniu pecúlio que lhe permitiu, de regresso às origens edificar uma bela casa e adquirir a Moeda Nova e o Lagar do Rio. Com bastantes propriedades foi pessoa de peso. Pai de 5 filhos que também emigraram: Alfredo para Moçambique onde faleceu deixando 2 filhos, um dos quais médico, que vieram para Portugal; António já nosso conhecido que faleceu em acidente de viação, com uma filha e um filho que, com a mãe, vieram para Portugal, o primeiro dos quais regressou a Moçambique onde viria a morrer em acidente de viação também; Artur que em Manaus – Brasil – foi industrial de transportes fluviais, mudando depois para o Rio de Janeiro onde foi comerciante e faleceu, deixando 25 filhos; Madalena, também nossa conhecida, que esteve uns anos no Rio de Janeiro para depois regressar e tomar a seu cargo a gestão dos bens da família e Lucinda que depois de vários anos em Moçambique se transferiu para os USA e mais tarde regressou tendo sido vítima de doença das que não perdoam.

De menos haveres mas também trabalhadores honestos merecedores de referência seguem as famílias de Germano Nunes de trato irrepreensível, com 5 filhos; António Serra uma simpatia, com 3 filhas e Fernando Dinis de boa relação com um filho e uma filha, que foi combatente da 2ª Grande Guerra no ultramar português, Alípio Cunha, carreiro como se chamava aos trabalhadores que dispunham de uma junta de bois para as fainas da agricultura, que viria a dar lugar aos tratores. O filho António Cunha emigrou para o Brasil donde regressou ainda novo, construiu casa e estabeleceu-se, mas a morte levou-o cedo. Deixou um filho e uma filha.

domingo, 7 de outubro de 2012


O Manuel Eusébio

 

Morreu há menos de 70 anos e fui ao seu funeral em representação da família. Morava na casa que agora pertence à Alice e filhos. Conheci o já velhote e muito pouco sensível ao que os outros poderiam pensar dele. Assim sendo, quando lhe apetecia urinar, a qualquer hora do dia, abria uma porta larga que nesse tempo havia no andar de cima puxava do “estojo” e aliviava-se, indiferente à possibilidade de que alguém pudesse estar a observá-lo ou a passar por de baixo!

domingo, 9 de setembro de 2012

Breves notas sobre o padre Francisco Lopes da Costa natural da Ponte Da Mucela

O padre Costa foi Pároco na Freguesia de Antanhol de 1911 a 1920 .
Alguém em meados na década de noventa procurou na nossa aldeia informações acerca do Pe.Costa.
Do que a memória da sobrinha Isménia da Conceição guardou e dos relatos da permanência do Pe. Costa em Antanhol, António de Oliveira Bento escreveu o artigo publicado na pag.122 do livro que faz a resenha histórica de “A freguesia de Antanhol” e que seguidamente transcrevemos na integra.

“ Natural da Ponte da Mucela, foi aqui Pároco desde Abril de 1911 até Dezembro de 1920.
Vivia na residência com a mãe e uma irmã. Maria da Conceição Lopes da Costa, que em 28/04/1920 se casou com António Serra na nossa igreja.
O Padre Costa, homem alto e forte, era um grande orador e toda a gente gostava dele.
Fora da igreja pedia que o tratassem pelo Sr. Costa. Não se considerando num pedestal, gostava de se misturar com o povo. Tendo aprendido a tocar viola com o José Vale Roxo, pai dos quatro irmãos Vale Roxo. Encontrava-se com frequência com o seu “professor” ele e o seu sacristão o Joaquim Aleixo na taberna das Pategas para praticar na viola, jogar umas partidas de sueca e confraternizar como era uso naqueles tempos sem telenovelas nem “balão”.--- É dessas ocasiões a frase dele: ” O trunfo é copas a urina é mijo” á qual o sacristão respondia: “Faça o Senhor prior o seu jogo” . Ainda hoje muita gente na freguesia conhece este diálogo, o qual podia ser uma mensagem codificada ….respeitante ao jogo. Era-o certamente quando ele dizia “Orate fartes, bota-lhe a bisca”.
Um dia zangou-se com o Ti Manuel “Ciano” , que não bebia vinho e lhe gritava: “Você é um bêbado”. O Pe. Costa respondia-lhe " E Você é um bebe água”.
Conta-se que no final de uma oração, quando o sacristão concluiu com o “Ámen”, o Pe. Costa lhe disse “falaste bem, meu bruto”
O que me levou a registar estes diálogos é para que se saiba a origem destas histórias que ainda hoje se contam. Era certamente uma personagem interessante e de valor, pois a existência destas histórias e de outras que não chegaram até nós, não impediram, pelo que me apercebi, que fosse amado pelos seus paroquianos, e, sobretudo que fosse respeitado.
Faleceu em 26/11/1942, na sua terra natal, Ponte da Mucela, com a idade de 62 anos”.

sábado, 14 de abril de 2012

FACTOS

O Júlio não era dos mais dotados e, consequentemente, teve por vezes comportamentos pelo menos caricatos! Em determinada altura agrediu o pai, o que foi muito mal aceite pela maioria das pessoas. Até o desembargador Jaime Serra, pessoa muito respeitada, o mandou chamar e lhe passou uma forte reprimenda ao que o Júlio respondeu: "Oh senhor doutor juiz, assim era chamado, se não são os da família quem lhe há de dar educação?!"

Hoje que a gravidez pode ser programada e até sem contacto físico, não será fácil entender como naquele tempo, e já lá vão perto de 70 anos, a chegada da mulher não virgem ao casamento era por norma problemática. Naquele tempo taambém era habitual ppregar partidas aos noivos, inclusivamente trepar a uma escada, se preciso fosse, para ver ou escutar como corria a noite de núpcias, tanto mais porque corria que a noiva já não estaria virgem. Correu depois que a noiva disse, procurando dar ideia da virgindade que não teria: "devagar Julinho que me rompes a veia!"
FACTOS

Há perto de 70 anos três senhoras que se encontravam de férias na Ponte de Mucela resolveram ouvir a Sra. Palmira e foi este escriba quem as levou. Para evitar o percurso à volta da estrada, resolvi ir pela Lomba da Barca e atravessar o rio de barco. Aconteceu que já perto da margem da Moura Morta me desequilibrei e caí à água. O barco com o balanço chegou à margem mas eu, calçado, vestido e mau nadador, estava em dificuldade. Aos gritos das senhoras acorreuu rapidamente o marido da Sra. Palmira que descalço, como era frequente andar, e em grande velocidade desceu a ravina de laje solta sobranceira a casa, atravessou a ínsua e me chegou uma vara que me tirou de apuros.

Também os maridos das senhoras quiseram ouvir a Sra. Palmira, mas neste caso foi o meu pai quem de automóvel os levou. o Cardoso foi o cliente que disse ser apoquentado por almas penadas. Procurando o alívio doo cliente, a Sra. Palmira, depois de o mandar deitar, lá foi fazendo as suas rezas e preces, das quais me cheegaram ao conhecimento: "Vão - seriam as almas penadas - para as profundezas do rio Jordão e para as areias gordas do deserto!"

domingo, 4 de março de 2012

Factos

O casal Manuel Rosa dos Santos e Virgínia tinha uma casa farta: muitos terrenos de cultivo e florestais e um grande rebanho de cabras e ovelhas. Tinha uma criada e um criado, como se chamavam na altura os servidores. Bem me lembro do queijo e do requeijão que ali se fabricavam e de que muitas vezes beneficiei. O casal teve duas filhas e quatro filhos, dois dos quais faleceram em Belém do Pará para onde tinham emigrado. A filha Virgínia casou com Albano Paula do Chão do Rio e Alzira que casou com Caetano Martins Ribeiro. O filho Álvaro Rosa dos Santos casou com Maria José irmã de Caetano e António casou com Mariazinha filha de José serra Campos.

Quando nasceu Alzira, o criado que era apoucado, aproveitando a quebra da vigilância habitual da patroa, tentou abusar da criada que, não estando recetiva, conseguiu esquivar-se e queixou se a Manuel Rosa que repreendeu o criado. Este retorquiu: “se ela conhecesse bem o tipe! quando lhe
apalpei a cousa ela até atrás da porta m´o dava!”

-----//-----

Nos tempos da 2ª Guerra Mundial (1939/45) a crise também cá se fez sentir fortemente, sendo notória a carência de produtos alimentares, essencialmente os importados, daí resultando a sua carestia e a necessidade de os racionar de acordo com os agregados familiares, ou procurar sucedâneos, como por exemplo o arroubo para substituição do açúcar. O racionamento provocou o contrabando, um mar de rosas para a corrupção e enriquecimento ilícito, e um aumento exponencial da mendicidade.

O pequeno João, filho do Manuel Rodrigues, também conhecido por Manel da Capela ou das Badanas, foi a casa de Manuel Rosa pedir um bocado de broa, que foi dado com uma cabeça de coelho. O João perguntou o que era, tendo sido dito que se tratava de uma cabeça de gato! De imediato o João jogou a fora e disse: “porra que ele ainda está a miar!”

Talvez porque nos dias em que havia pão se estabelecia um corrupio de pessoas da Ponte e de Mucelão para a fila, desde a madrugada e com o caraterístico ruído dos tamancos, nessa altura muito em uso, lembrei-me do simpático padeiro, o Baetas da Quinta, que foi, na região, dos primeiros a adaptar motor (cocciolo) à bicicleta e não conseguia arrancar do Café para cima: tinha que ir dar a volta ao cabo da ponte!