quinta-feira, 15 de julho de 2010

FIGURAS

ANTÓNIO COIMBRA


Também conhecido por António Marinheiro, boa figura e simpático, imigrou para Moçambique ainda novo onde viria a falecer de acidente, deixando muitas saudades. Intrépido, divertia-se descendo, de bicicleta e de joelhos sobre o selim, o muro do chafariz próximo de Mucelão.

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MÃE SOLTEIRA


Hoje condição programada e naturalmente aceite pela sociedade, aqui há cem anos era situação embaraçosa.


A Joaquina, com a barriga a crescer e interpelada, dizia às pessoas que era um bicho procurando tapar o Sol com uma peneira!!!

Nasceu na altura própria, de seu nome Francisco da Fonseca, logo alcunhado de Bicho. Não era muito viciado no trabalho, mas era prestável, gostava de beber o seu copo que aperitava com malagueta, sempre que possível.

Foi concorrente do Zé Pequeno, já nosso conhecido, a fazer recados, mas especialista em “dar as voltas”. Naquele tempo não havia agências de viagens… Sem regresso! Era preciso “dar as voltas”, expressão que englobava todas as acções a desenvolver antes dos funerais (registo civil, certidão de óbito, combinação do funeral com o padre, a irmandade e o coveiro).

O Francisco da Fonseca foi ainda o cabo de ordens local (representante do regedor).

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PADRE FRANCISCO LOPES DA COSTA


Nascido na Ponte de Mucela à volta da década de 1870, filho do fiscal das Obras Públicas José Lopes da Costa, um dos responsáveis pelo troço da EN 17 (troço este que passa pela Ponte de Mucela, atravessando a actual ponte - a primeira ponte, a jusante da actual, foi iniciada em 1298 por ordem do tesoureiro de D. Dinis, Pedro Salgado, e viria a ser boicotada em 1810 para dificultar a debandada dos franceses)


O Padre Lopes da Costa exerceu o sacerdócio em Antanhol onde deixou um vasto espólio que está a ser objecto de estudo com vista à edição de um livro ligado às actividades do Mosteiro de Antanhol, no qual teve um papel muito activo.

Exerceu também sacerdócio nas Paróquias da Igreja Nova e Moita da Serra, de onde foi transportado para a Ponte de Mucela em estado comatoso, possível consequência de um AVC. Veio a falecer na Ponte de Mucela por volta do ano 1941.

O Padre Costa, de boa figura, espirituoso e de geral simpatia, gostava de jogar cartas (“Oh cá! Oh cá!” dizia quando apanhava as vasas ganhas). Também gostava do seu copito, chegando por vezes a um alegrete, que chegou a causar dissabores.

Em dada altura, o Bispo de Coimbra tirou-lhe a missa. O Padre Costa foi ao mercado de Coimbra, comprou um cesto, encheu-o de sardinhas e conseguiu ser recebido pelo bispo que elegeu para o honrar como seu primeiro cliente na actividade que ia iniciar! O bispo devolveu-lhe a missa.

Sofria muito dos calos e o Caetaninho, já nosso conhecido e seu amigo, gostava de o acirrar, pisando-lhos por vezes. Tinha a mão leve e agredia imediatamente quem lhe parecia ter sido o agressor. O Caetaninho fugia do seu alcance e o Sr. Padre agredia quem estivesse mais à mão! Ficou célebre o diálogo: “Oh Padre Costa!”- disse o Barreirinhas da Portela, e aquele verificando o logro respondeu: “Já nem Santo António te a tira!”

O Doutor Costa Gaito (?), que vivia a uns bons quilómetros a Nascente da Ponte de Mucela, após jogatana animada e troca de palavras azedas, agrediu o Padre Costa, que se propunha ripostar. Os companheiros evitaram e o agressor saiu fininho. No dia seguinte, o nosso Doutor voltou à Ponte de Mucela, mas não teve tempo de abrir a boca, já que o Padre Costa, perguntando-lhe se estava satisfeito com a atitude da véspera e sem lhe deixar dar resposta, pegou-lhe pelo “cu das calças” e pela gola do casaco, propondo-se deitá-lo ao Alva que levava uma grande cheia. Por sorte, alguns dos companheiros da véspera conseguiram evitar o pior.

Voltaremos logo que tivermos novas informações sobre o Padre Costa.

domingo, 25 de abril de 2010

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Padre Eduardo Augusto Rodrigues

Parece aconselhável referenciar também o irmão José Augusto Ramos Rodrigues, tanto mais atendendo à actual baixa natalidade, que tanto preocupa quem se dedica ao estudo dos graves problemas daí resultantes.

Pai de 59 filhos (ambicionava o “moio” mas a morte surpreendeu o) sendo 28 dos casamentos e 31 bastardos.

Quando enviuvou o irmão aconselhou o a procurar uma mulher de 40 anos que o ajudasse a criar os filhos, respondeu lhe que arranjaria 2 de 20 pois preferia ouvir crianças a chorar a velhas a gemer!

Quando da sua morte aos 83 anos o filho mais novo tinha 3 meses e os seus descendentes ascendiam a 191!

Bom seria que este exemplo pudesse contribuir para o aumento da prolificação, em termos mais contidos naturalmente!

O RIO ALVA ESTÁ A MORRER

Parte de um dos melhores truteiros do Mundo está a correr grande risco de morrer devido à grande quantidade de barro arrastado pelas enxurradas das ribeiras da freguesia das Lavegadas: tornando-o impróprio para peixes, especialomente trutas, parecendo desnecessário evidenciar os reflexos negativos que daí resultam para o turismo.

Torna-se necessário e urgente regular o curso das ribeiras e proceder à limpeza do rio mediante sangra da Barragem das Fronhas.

As margens continuam por limpar bem como o pilar principal da Ponte de Mucela, situação nada lisonjeira para as edilidades de Arganil e de Vila Nova de Poeiras bem como para a Direcção da Hidráulica.

AVISO

Caros seguidores,

Sempre que queiram compartilhar connosco algo que gostassem de ver referido no blog, por favor não hesitem em contactar-nos.

O endereço de e-mail ponte.de.mucela@gmail.com está à disposição para receber todos os vossos "inputs"!

Obrigado

domingo, 28 de março de 2010

FIGURAS

JOAQUIM COSTA



Alto e forte (ossudo e de poucas carnes) terá morrido há cerca de quarenta anos, tendo à volta de 80. Boa alma, trabalhador, valente e desenrascado foi do Barreiro, muito frequentador da Ponte de Mucela, como então era habitual para as gentes das redondezas.



Ainda novo foi emigrante em Belém do Pará onde foi leiteiro ambulante. Naquele tempo as vacas eram levadas pelas ruas e o fornecimento era directo do amojo ao cliente , mugindo directamente para a medida: os clientes por vezes até bebiam pela mesma medida !



Uma vez apareceu-lhe um grupo de rapazotes dispostos a beber sem pagar: “ ó leiteiro bota aí meio litro”. Foi fornecendo e os “clientes” iam fugindo até ter concluído que os restantes já estavam ao alcance das suas capacidades físicas: “joguei dois contra si próprios , correndo os restantes à chapada – “ tap tap tap “ como dizia,



Por lá teve outras encrencas. A última foi com a polícia montada que costumava actuar aos pares. Preso pelo primeiro que surgiu foi avisando que fugiria logo que chegasse o colega e assim fez: montados colocaram-se um de cada lado e o JC com uma mão a cada estribo jogou-os dos cavalos a baixo espantando de imediato as cavalgaduras e pondo-se simultaneamente em fuga.



A vida tornou-se lhe difícil por aquelas bandas, mesmo conhecida que era a sua fibra. Decidiu regressar a Portugal sem delongas.



De volta dedicou-se à agricultura que mesmo naquele tempo já não produzia grandes proventos.



Por cá foi ficando e criando a sua prole, sendo actor de vários episódios, alguns dos quais a merecerem citação.



Teve um incêndio em casa. Só a sua valentia lhe permitiu salvar a mulher, não sem que tivesse ficado com um pouco de nariz a menos.



Um grupo de nómadas de passagem levou a roupa que a mulher tinha ao Sol. Foi na sua perseguição “só na companhia do seu cajado”, mesmo sabendo que do grupo faziam parte alguns homens. Horas depois estava de volta com os haveres que tinham sido roubados.



Andando a lavrar foi alertado pelo carteiro para uma carta que trazia em seu nome. “Eixe para diante, cartas são papeis”. Ó Ti Jaquim olhe que traz dinheiro! “ Aí-ou com dinheiro não se brinca”!



Como foi dito a agricultura não assegurava todas as suas necessidades, já que fumava, comia e bebia “bem”. Valia lhe a Ponte de Mucela onde nos dois estabelecimentos de então gozava do crédito necessário, cujos dois filhos, vendedores em Lisboa, regularizavam saldos quando o visitavam.