Factos
O casal Manuel Rosa dos Santos e Virgínia tinha uma casa farta: muitos terrenos de cultivo e florestais e um grande rebanho de cabras e ovelhas. Tinha uma criada e um criado, como se chamavam na altura os servidores. Bem me lembro do queijo e do requeijão que ali se fabricavam e de que muitas vezes beneficiei. O casal teve duas filhas e quatro filhos, dois dos quais faleceram em Belém do Pará para onde tinham emigrado. A filha Virgínia casou com Albano Paula do Chão do Rio e Alzira que casou com Caetano Martins Ribeiro. O filho Álvaro Rosa dos Santos casou com Maria José irmã de Caetano e António casou com Mariazinha filha de José serra Campos.
Quando nasceu Alzira, o criado que era apoucado, aproveitando a quebra da vigilância habitual da patroa, tentou abusar da criada que, não estando recetiva, conseguiu esquivar-se e queixou se a Manuel Rosa que repreendeu o criado. Este retorquiu: “se ela conhecesse bem o tipe! quando lhe
apalpei a cousa ela até atrás da porta m´o dava!”
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Nos tempos da 2ª Guerra Mundial (1939/45) a crise também cá se fez sentir fortemente, sendo notória a carência de produtos alimentares, essencialmente os importados, daí resultando a sua carestia e a necessidade de os racionar de acordo com os agregados familiares, ou procurar sucedâneos, como por exemplo o arroubo para substituição do açúcar. O racionamento provocou o contrabando, um mar de rosas para a corrupção e enriquecimento ilícito, e um aumento exponencial da mendicidade.
O pequeno João, filho do Manuel Rodrigues, também conhecido por Manel da Capela ou das Badanas, foi a casa de Manuel Rosa pedir um bocado de broa, que foi dado com uma cabeça de coelho. O João perguntou o que era, tendo sido dito que se tratava de uma cabeça de gato! De imediato o João jogou a fora e disse: “porra que ele ainda está a miar!”
Talvez porque nos dias em que havia pão se estabelecia um corrupio de pessoas da Ponte e de Mucelão para a fila, desde a madrugada e com o caraterístico ruído dos tamancos, nessa altura muito em uso, lembrei-me do simpático padeiro, o Baetas da Quinta, que foi, na região, dos primeiros a adaptar motor (cocciolo) à bicicleta e não conseguia arrancar do Café para cima: tinha que ir dar a volta ao cabo da ponte!
domingo, 4 de março de 2012
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A MATANÇA DO PORCO
No passado, a vida nas aldeias tinha poucos atractivos para os curtos tempos de lazer. Sem TV e com pouca Rádio, poucos jornais, uns bailaricos, a festa anual e as tradicionais eram completados pela matança do porco, levada a efeito em quase todos os lares. Era pretexto para convidar familiares, amigos, e os vizinhos mais chegados.
Aproveitavam-se de preferência os sábados e os domingos para a faina, que se prolongava por quase dois dias. O porco que não comera no dia anterior, era trazido atrás do milho, que se lhe ia facultando, até ao local da “cerimónia”, onde era agarrado pelos ajudantes do matador, prostrado e imobilizado em plano inclinado, a fim de permitir a acção do matador. O(a) porco(a), bastante contrariado(a), colaborava mas berrando até poder. Aí o matador, especializado, espetava-lhe um facalhão apropriado na garganta, atingindo-lhe o coração, e o sangue, que brotava para um alguidar, onde era recolhido para utilizações posteriores, parte coalhado e parte em estado líquido. Acabado o berreiro e o sangue, chamuscava-se o porco com carquejas a arder para lhe queimar as crinas. Seguia-se a estona, normalmente feita com uma telha de caleira, e a lavagem e a tiragem das unhas, que eram distribuídas pelos cães que assistiam à cerimónia. Seguia-se o desmanche que começava pelo corte da goela, depois de atado o seu prolongamento de molde a evitar que o conteúdo das tripas se espalhasse. A goela recheada de fêveras era grelhada e servia de petisco ao primeiro copo de tinto. De seguida, aparecia uma travessa de sangue cozido e temperado com azeite, vinagre e alho picado que, posta em cima do “cadáver”, servia de petisco para o segundo copo. Os petiscos eram acompanhados com “triga-milha” feita de véspera especialmente.
Seguia-se o desmanche. Com os jarretes enfiados num chambaril, o porco era içado e pendurado numa trave da loja, para onde entretanto tinha sido trazido de modo a que o focinho ficasse a 40 ou 50 cm do chão, colocando-se por baixo um alguidar para recolher o sangue que ainda ia escorrendo.
De seguida, procedia-se a tiragem das tripas para despejar e lavar convenientemente para futura utilização nos enchidos. Previamente haviam sido também atadas junto ao recto (a parte cortada era um bom petisco para cão presente). Seguia-se a recolha das miudezas que seriam incorporadas no arroz do almoço. Já era fácil sacar umas febras para assar com vista a mais um copo (nesta altura já havia quem estivesse com um alegrete). O matador recolhia então as carnes e gorduras destinadas aos enchidos. Os chispes, as pás, a cabeça e algum toucinho eram retirados e salgados para inclusão no cozido do almoço. Seguia-se o saque das pás e dos presuntos para salgar, e os lombos para assar no forno e preservar em banha para utilização futura. Restava desmanchar a coluna. As costeletas e a carne entremeada já faziam parte da ementa do jantar.
Com tudo isto, quando o grupo era grande, metade do porco estava comida. Nas casas mais abastadas matavam-se dois ou três porcos por ano, durante o Inverno. Naquele tempo não abundavam os frigoríficos e as arcas frigoríficas ainda não teriam sido inventadas, o acesso à carne de vaca não era fácil, uma vez por semana havia sardinha fresca e a que restava era salgada, de forma que o porco era o grande complemento das aves, coelhos, caprinos e ovinos.
Aproveitavam-se de preferência os sábados e os domingos para a faina, que se prolongava por quase dois dias. O porco que não comera no dia anterior, era trazido atrás do milho, que se lhe ia facultando, até ao local da “cerimónia”, onde era agarrado pelos ajudantes do matador, prostrado e imobilizado em plano inclinado, a fim de permitir a acção do matador. O(a) porco(a), bastante contrariado(a), colaborava mas berrando até poder. Aí o matador, especializado, espetava-lhe um facalhão apropriado na garganta, atingindo-lhe o coração, e o sangue, que brotava para um alguidar, onde era recolhido para utilizações posteriores, parte coalhado e parte em estado líquido. Acabado o berreiro e o sangue, chamuscava-se o porco com carquejas a arder para lhe queimar as crinas. Seguia-se a estona, normalmente feita com uma telha de caleira, e a lavagem e a tiragem das unhas, que eram distribuídas pelos cães que assistiam à cerimónia. Seguia-se o desmanche que começava pelo corte da goela, depois de atado o seu prolongamento de molde a evitar que o conteúdo das tripas se espalhasse. A goela recheada de fêveras era grelhada e servia de petisco ao primeiro copo de tinto. De seguida, aparecia uma travessa de sangue cozido e temperado com azeite, vinagre e alho picado que, posta em cima do “cadáver”, servia de petisco para o segundo copo. Os petiscos eram acompanhados com “triga-milha” feita de véspera especialmente.
Seguia-se o desmanche. Com os jarretes enfiados num chambaril, o porco era içado e pendurado numa trave da loja, para onde entretanto tinha sido trazido de modo a que o focinho ficasse a 40 ou 50 cm do chão, colocando-se por baixo um alguidar para recolher o sangue que ainda ia escorrendo.
De seguida, procedia-se a tiragem das tripas para despejar e lavar convenientemente para futura utilização nos enchidos. Previamente haviam sido também atadas junto ao recto (a parte cortada era um bom petisco para cão presente). Seguia-se a recolha das miudezas que seriam incorporadas no arroz do almoço. Já era fácil sacar umas febras para assar com vista a mais um copo (nesta altura já havia quem estivesse com um alegrete). O matador recolhia então as carnes e gorduras destinadas aos enchidos. Os chispes, as pás, a cabeça e algum toucinho eram retirados e salgados para inclusão no cozido do almoço. Seguia-se o saque das pás e dos presuntos para salgar, e os lombos para assar no forno e preservar em banha para utilização futura. Restava desmanchar a coluna. As costeletas e a carne entremeada já faziam parte da ementa do jantar.
Com tudo isto, quando o grupo era grande, metade do porco estava comida. Nas casas mais abastadas matavam-se dois ou três porcos por ano, durante o Inverno. Naquele tempo não abundavam os frigoríficos e as arcas frigoríficas ainda não teriam sido inventadas, o acesso à carne de vaca não era fácil, uma vez por semana havia sardinha fresca e a que restava era salgada, de forma que o porco era o grande complemento das aves, coelhos, caprinos e ovinos.
domingo, 1 de maio de 2011
USOS E COSTUMES
Relembrando velhos costumes passados à história…
A Quaresma
Passado o Carnaval, em que com mais ou menos fantasia se dava “ar à pluma”, seguia-se a Quaresma que era tempo de recolhimento até Sábado de Aleluia pelas 10h00 da manhã, período com várias restrições incluindo a ingestão de carne (salvo se fosse paga a bula à paróquia) e os bailes também ficavam suspensos.
A juventude usava “Enganchar”, rapariga e rapaz enlaçavam os dedos mindinhos das suas mãos direitas recitando a ladainha: “Pelas almas rezaremos e quem por elas não rezar ao inferno vai parar!”
Posto isto todos os dias, quando se encontravam, o que primeiro se apercebia mandava rezar o outro e “ficava por cima” como se dizia. À medida que a Quaresma ia chegando ao fim o período de mandar rezar deixava de ser diário até que a partir da Sexta-feira Santa era “esconder e mandar”. Quem ficava por cima ganhava direito a receber as amêndoas. Os enganchados ficavam compadres e não raras vezes acabavam namorados e até casados.
Quando dificilmente se descortinava quem tinha sido o primeiro a mandar rezar, era frequente surgir o desabafo: “Reza tu que eu já rezei, vai às… (urtigas) que já te mandei!”.
Entretanto havia a missa do Domingo de Ramos em que os jovens compareciam com ramos de oliveira às costas enfeitados à semelhança dos ramitos das Quintas-feiras da Espiga.
sábado, 23 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Figuras
Maria José Simões, mais conhecida por Maria José da capela, devido a proximidade da mesma - na altura situada perto de onde agora se encontra o coreto, desempenhou com grande eficiência as funções de parteira até ao 2º quarto do século passado na Pode de Mucela e redondezas, o que a obrigava a grandes caminhadas, que fazia e com grande ligeireza, dados os condicionamentos financeiros de então serem restritivos à obtenção de transportes.
Naquele tempo as notícias não tinham grandes facilidades de trânsito (poucos telefones, pouca circulação de jornais, poucos rádio receptores e tv nem cheirava) o que naturalmente acabou por endossar à nossa parteira a função de mensageira, que também levava a cabo com grande prontidão e eficiência.
Maria José Simões, mais conhecida por Maria José da capela, devido a proximidade da mesma - na altura situada perto de onde agora se encontra o coreto, desempenhou com grande eficiência as funções de parteira até ao 2º quarto do século passado na Pode de Mucela e redondezas, o que a obrigava a grandes caminhadas, que fazia e com grande ligeireza, dados os condicionamentos financeiros de então serem restritivos à obtenção de transportes.
Naquele tempo as notícias não tinham grandes facilidades de trânsito (poucos telefones, pouca circulação de jornais, poucos rádio receptores e tv nem cheirava) o que naturalmente acabou por endossar à nossa parteira a função de mensageira, que também levava a cabo com grande prontidão e eficiência.
sábado, 19 de março de 2011
IRRACIONAIS…
IRRACIONAIS…
Quando os sábios confirmam que os animais ditos irracionais, aos quais só era atribuído instinto, têm sentimentos e emoções, recordamos que era habitual comparar os estúpidos com galinhas!
A propósito vamos recordar uma galinha que conhecemos há muitos anos, à volta de 60: na verdade a TUNÍSIA, assim foi chamada a dita galinha, considerada criatura não grata na respectiva capoeira, era frequentemente agredida pelos outros habitantes e tinha grande dificuldade em alimentar-se, resultando um estado lastimável.
Retirada da capoeira, tratada e acarinhada dedicou-se de tal modo ao tratador que o seguia com fidelidade canina e corria em acelerado quando chamada!
Quando os sábios confirmam que os animais ditos irracionais, aos quais só era atribuído instinto, têm sentimentos e emoções, recordamos que era habitual comparar os estúpidos com galinhas!
A propósito vamos recordar uma galinha que conhecemos há muitos anos, à volta de 60: na verdade a TUNÍSIA, assim foi chamada a dita galinha, considerada criatura não grata na respectiva capoeira, era frequentemente agredida pelos outros habitantes e tinha grande dificuldade em alimentar-se, resultando um estado lastimável.
Retirada da capoeira, tratada e acarinhada dedicou-se de tal modo ao tratador que o seguia com fidelidade canina e corria em acelerado quando chamada!
A TUA TERRA NÃO VEM NO MAPA !
A TUA TERRA NÃO VEM NO MAPA !
É expressão muito usada quando se pretende apoucar algo. Acontece que a PONTE DE MUCELA vem no mapa do Automóvel Clube de Portugal. E porquê? Já lá vão à volta de 60 anos que foi levado a efeito um rali, cujo programa incluía o pequeno almoço, de madrugada, no Café- Restaurante Beira-Alva. Foi sem dúvida um acontecimento de grande projecção publicitária para a Ponte de Mucela e para o seu estabelecimento que então gozava de grande reputação. Daí resultou que a Ponte de Mucela passou a vir no mapa!
Também o mapa de 2011 da Optimus inclui a PONTE DE MUCELA!
É expressão muito usada quando se pretende apoucar algo. Acontece que a PONTE DE MUCELA vem no mapa do Automóvel Clube de Portugal. E porquê? Já lá vão à volta de 60 anos que foi levado a efeito um rali, cujo programa incluía o pequeno almoço, de madrugada, no Café- Restaurante Beira-Alva. Foi sem dúvida um acontecimento de grande projecção publicitária para a Ponte de Mucela e para o seu estabelecimento que então gozava de grande reputação. Daí resultou que a Ponte de Mucela passou a vir no mapa!
Também o mapa de 2011 da Optimus inclui a PONTE DE MUCELA!
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