sábado, 14 de abril de 2012

FACTOS

O Júlio não era dos mais dotados e, consequentemente, teve por vezes comportamentos pelo menos caricatos! Em determinada altura agrediu o pai, o que foi muito mal aceite pela maioria das pessoas. Até o desembargador Jaime Serra, pessoa muito respeitada, o mandou chamar e lhe passou uma forte reprimenda ao que o Júlio respondeu: "Oh senhor doutor juiz, assim era chamado, se não são os da família quem lhe há de dar educação?!"

Hoje que a gravidez pode ser programada e até sem contacto físico, não será fácil entender como naquele tempo, e já lá vão perto de 70 anos, a chegada da mulher não virgem ao casamento era por norma problemática. Naquele tempo taambém era habitual ppregar partidas aos noivos, inclusivamente trepar a uma escada, se preciso fosse, para ver ou escutar como corria a noite de núpcias, tanto mais porque corria que a noiva já não estaria virgem. Correu depois que a noiva disse, procurando dar ideia da virgindade que não teria: "devagar Julinho que me rompes a veia!"
FACTOS

Há perto de 70 anos três senhoras que se encontravam de férias na Ponte de Mucela resolveram ouvir a Sra. Palmira e foi este escriba quem as levou. Para evitar o percurso à volta da estrada, resolvi ir pela Lomba da Barca e atravessar o rio de barco. Aconteceu que já perto da margem da Moura Morta me desequilibrei e caí à água. O barco com o balanço chegou à margem mas eu, calçado, vestido e mau nadador, estava em dificuldade. Aos gritos das senhoras acorreuu rapidamente o marido da Sra. Palmira que descalço, como era frequente andar, e em grande velocidade desceu a ravina de laje solta sobranceira a casa, atravessou a ínsua e me chegou uma vara que me tirou de apuros.

Também os maridos das senhoras quiseram ouvir a Sra. Palmira, mas neste caso foi o meu pai quem de automóvel os levou. o Cardoso foi o cliente que disse ser apoquentado por almas penadas. Procurando o alívio doo cliente, a Sra. Palmira, depois de o mandar deitar, lá foi fazendo as suas rezas e preces, das quais me cheegaram ao conhecimento: "Vão - seriam as almas penadas - para as profundezas do rio Jordão e para as areias gordas do deserto!"

domingo, 4 de março de 2012

Factos

O casal Manuel Rosa dos Santos e Virgínia tinha uma casa farta: muitos terrenos de cultivo e florestais e um grande rebanho de cabras e ovelhas. Tinha uma criada e um criado, como se chamavam na altura os servidores. Bem me lembro do queijo e do requeijão que ali se fabricavam e de que muitas vezes beneficiei. O casal teve duas filhas e quatro filhos, dois dos quais faleceram em Belém do Pará para onde tinham emigrado. A filha Virgínia casou com Albano Paula do Chão do Rio e Alzira que casou com Caetano Martins Ribeiro. O filho Álvaro Rosa dos Santos casou com Maria José irmã de Caetano e António casou com Mariazinha filha de José serra Campos.

Quando nasceu Alzira, o criado que era apoucado, aproveitando a quebra da vigilância habitual da patroa, tentou abusar da criada que, não estando recetiva, conseguiu esquivar-se e queixou se a Manuel Rosa que repreendeu o criado. Este retorquiu: “se ela conhecesse bem o tipe! quando lhe
apalpei a cousa ela até atrás da porta m´o dava!”

-----//-----

Nos tempos da 2ª Guerra Mundial (1939/45) a crise também cá se fez sentir fortemente, sendo notória a carência de produtos alimentares, essencialmente os importados, daí resultando a sua carestia e a necessidade de os racionar de acordo com os agregados familiares, ou procurar sucedâneos, como por exemplo o arroubo para substituição do açúcar. O racionamento provocou o contrabando, um mar de rosas para a corrupção e enriquecimento ilícito, e um aumento exponencial da mendicidade.

O pequeno João, filho do Manuel Rodrigues, também conhecido por Manel da Capela ou das Badanas, foi a casa de Manuel Rosa pedir um bocado de broa, que foi dado com uma cabeça de coelho. O João perguntou o que era, tendo sido dito que se tratava de uma cabeça de gato! De imediato o João jogou a fora e disse: “porra que ele ainda está a miar!”

Talvez porque nos dias em que havia pão se estabelecia um corrupio de pessoas da Ponte e de Mucelão para a fila, desde a madrugada e com o caraterístico ruído dos tamancos, nessa altura muito em uso, lembrei-me do simpático padeiro, o Baetas da Quinta, que foi, na região, dos primeiros a adaptar motor (cocciolo) à bicicleta e não conseguia arrancar do Café para cima: tinha que ir dar a volta ao cabo da ponte!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A MATANÇA DO PORCO

No passado, a vida nas aldeias tinha poucos atractivos para os curtos tempos de lazer. Sem TV e com pouca Rádio, poucos jornais, uns bailaricos, a festa anual e as tradicionais eram completados pela matança do porco, levada a efeito em quase todos os lares. Era pretexto para convidar familiares, amigos, e os vizinhos mais chegados.

Aproveitavam-se de preferência os sábados e os domingos para a faina, que se prolongava por quase dois dias. O porco que não comera no dia anterior, era trazido atrás do milho, que se lhe ia facultando, até ao local da “cerimónia”, onde era agarrado pelos ajudantes do matador, prostrado e imobilizado em plano inclinado, a fim de permitir a acção do matador. O(a) porco(a), bastante contrariado(a), colaborava mas berrando até poder. Aí o matador, especializado, espetava-lhe um facalhão apropriado na garganta, atingindo-lhe o coração, e o sangue, que brotava para um alguidar, onde era recolhido para utilizações posteriores, parte coalhado e parte em estado líquido. Acabado o berreiro e o sangue, chamuscava-se o porco com carquejas a arder para lhe queimar as crinas. Seguia-se a estona, normalmente feita com uma telha de caleira, e a lavagem e a tiragem das unhas, que eram distribuídas pelos cães que assistiam à cerimónia. Seguia-se o desmanche que começava pelo corte da goela, depois de atado o seu prolongamento de molde a evitar que o conteúdo das tripas se espalhasse. A goela recheada de fêveras era grelhada e servia de petisco ao primeiro copo de tinto. De seguida, aparecia uma travessa de sangue cozido e temperado com azeite, vinagre e alho picado que, posta em cima do “cadáver”, servia de petisco para o segundo copo. Os petiscos eram acompanhados com “triga-milha” feita de véspera especialmente.

Seguia-se o desmanche. Com os jarretes enfiados num chambaril, o porco era içado e pendurado numa trave da loja, para onde entretanto tinha sido trazido de modo a que o focinho ficasse a 40 ou 50 cm do chão, colocando-se por baixo um alguidar para recolher o sangue que ainda ia escorrendo.

De seguida, procedia-se a tiragem das tripas para despejar e lavar convenientemente para futura utilização nos enchidos. Previamente haviam sido também atadas junto ao recto (a parte cortada era um bom petisco para cão presente). Seguia-se a recolha das miudezas que seriam incorporadas no arroz do almoço. Já era fácil sacar umas febras para assar com vista a mais um copo (nesta altura já havia quem estivesse com um alegrete). O matador recolhia então as carnes e gorduras destinadas aos enchidos. Os chispes, as pás, a cabeça e algum toucinho eram retirados e salgados para inclusão no cozido do almoço. Seguia-se o saque das pás e dos presuntos para salgar, e os lombos para assar no forno e preservar em banha para utilização futura. Restava desmanchar a coluna. As costeletas e a carne entremeada já faziam parte da ementa do jantar.

Com tudo isto, quando o grupo era grande, metade do porco estava comida. Nas casas mais abastadas matavam-se dois ou três porcos por ano, durante o Inverno. Naquele tempo não abundavam os frigoríficos e as arcas frigoríficas ainda não teriam sido inventadas, o acesso à carne de vaca não era fácil, uma vez por semana havia sardinha fresca e a que restava era salgada, de forma que o porco era o grande complemento das aves, coelhos, caprinos e ovinos.

domingo, 1 de maio de 2011

USOS E COSTUMES

Relembrando velhos costumes passados à história…

A Quaresma

Passado o Carnaval, em que com mais ou menos fantasia se dava “ar à pluma”, seguia-se a Quaresma que era tempo de recolhimento até Sábado de Aleluia pelas 10h00 da manhã, período com várias restrições incluindo a ingestão de carne (salvo se fosse paga a bula à paróquia) e os bailes também ficavam suspensos.
A juventude usava “Enganchar”, rapariga e rapaz enlaçavam os dedos mindinhos das suas mãos direitas recitando a ladainha: “Pelas almas rezaremos e quem por elas não rezar ao inferno vai parar!”
Posto isto todos os dias, quando se encontravam, o que primeiro se apercebia mandava rezar o outro e “ficava por cima” como se dizia. À medida que a Quaresma ia chegando ao fim o período de mandar rezar deixava de ser diário até que a partir da Sexta-feira Santa era “esconder e mandar”. Quem ficava por cima ganhava direito a receber as amêndoas. Os enganchados ficavam compadres e não raras vezes acabavam namorados e até casados.
Quando dificilmente se descortinava quem tinha sido o primeiro a mandar rezar, era frequente surgir o desabafo: “Reza tu que eu já rezei, vai às… (urtigas) que já te mandei!”.
Entretanto havia a missa do Domingo de Ramos em que os jovens compareciam com ramos de oliveira às costas enfeitados à semelhança dos ramitos das Quintas-feiras da Espiga.

sábado, 23 de abril de 2011

COSTUMES

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Figuras

Maria José Simões, mais conhecida por Maria José da capela, devido a proximidade da mesma - na altura situada perto de onde agora se encontra o coreto, desempenhou com grande eficiência as funções de parteira até ao 2º quarto do século passado na Pode de Mucela e redondezas, o que a obrigava a grandes caminhadas, que fazia e com grande ligeireza, dados os condicionamentos financeiros de então serem restritivos à obtenção de transportes.

Naquele tempo as notícias não tinham grandes facilidades de trânsito (poucos telefones, pouca circulação de jornais, poucos rádio receptores e tv nem cheirava) o que naturalmente acabou por endossar à nossa parteira a função de mensageira, que também levava a cabo com grande prontidão e eficiência.