quarta-feira, 21 de julho de 2010

FIGURAS

MÃE SOLTEIRA


Hoje condição programada e naturalmente aceite pela sociedade, aqui há cem anos era situação embaraçosa.


A Joaquina, com a barriga a crescer e interpelada, dizia às pessoas que era um bicho procurando tapar o Sol com uma peneira!!!

Nasceu na altura própria, de seu nome Francisco da Fonseca, logo alcunhado de Bicho. Não era muito viciado no trabalho, mas era prestável, gostava de beber o seu copo que aperitava com malagueta, sempre que possível.

Foi concorrente do Zé Pequeno, já nosso conhecido, a fazer recados, mas especialista em “dar as voltas”. Naquele tempo não havia agências de viagens… Sem regresso! Era preciso “dar as voltas”, expressão que englobava todas as acções a desenvolver antes dos funerais (registo civil, certidão de óbito, combinação do funeral com o padre, a irmandade e o coveiro).

O Francisco da Fonseca foi ainda o cabo de ordens local (representante do regedor).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

FACTOS

A CARÊNCIA DE ELECTRICIDADE


A Ponte de Mucela só tardiamente teve electricidade, e, mesmo assim, sobre a pressão dos Caetaninho e Octávio que para além de terem exercido as suas influências em Arganil encabeçaram um peditório que na altura ascendeu a cerca de 30 contos para comparticipação local.


Até aí as bebidas eram refrescadas num poço onde se mergulhava uma caixa de cerveja devidamente municiada. O poço lá está agora neutralizado.

Naquele tempo, principalmente de Inverno, as conversas à fogueira eram atractivo para quem não queria deitar-se com as galinhas.

Por vezes as cartas eram jogadas a espumoso, pago pelos perdedores e quando as coisas aqueciam surgiam novas soluções: recordo-me de ver abrir meia caixa (de lata) de palitos la reine tirar-lhe os papéis de embalagem apimentar os palitos e verter espumoso até ficar uma papa depois comida à colher!

A Ponte de Mucela muito hospitaleira sempre primou por ajudar quem necessitava. Na Venda, como na altura se chamava ao Café, fazia se questão de proporcionar alimentação a qualquer a qualquer hora, chegando-se a reabrir o estabelecimento já pela noite dentro. Octávio proprietário da Venda, de mão leve gostava de dizer que da Ponte de Mucela ninguém saía com vontade de comer, jogar as cartas ou levar porrada!

FACTOS

CHEGADA DA TV À PONTE DE MUCELA


Também o primeiro canal da TV, a preto e branco, chegou atrasada. Não me recordo da ordem, mas os pioneiros das redondezas foram os cunhados Caetaninho e Octávio.

FACTOS

À VOLTA DE 67 ANOS DE RÁDIO


A RDP vem comemorando 75 anos de Rádio que, à Ponte de Mucela, só chegou por volta de 1943 devido à inexistência de electricidade. Em plena 2ª Guerra Mundial era importante ouvir notícias e o Caetaninho resolveu o problema com uma bateria auto que era necessário recarregar amiudadas vezes. Pouco tempo depois Octávio seguia-lhe no exemplo sendo assim os pioneiros das redondezas.

FIGURAS

FILIPE


Cantoneiro na E.N. 17, vivia na Igreja Nova e era pessoa muito estimada devido ao seu bom feitio. Calmo e colaborante tinha bom relacionamento geral e familiar. Todavia em determinada noite à lareira, após desentendimento inesperado a mulher deu-lhe uma bofetada. Sem mais aquelas o Filipe pegou um cavaco e partiu um braço à mulher. No dia seguinte levou a Poiares para tratamento. Ao pagamento propôs-se pagar a dobrar, alegando que já ficava para a próxima!


È pertença de um seu filho a melhor vivenda da Igreja Nova.

FIGURAS

FRANCISCO CUNHA


De Mucela, imigrou para o Brasil ainda novo, onde construiu um empório dando a mão a muitos dos seus colaboradores, alguns dos quais também chegaram alto. Nunca esqueceu a sua origem modesta, vindo a Portugal com frequência.


Gostava muito de jogar a sueca, gosto que satisfazia na Ponte de Mucela com os amigos Caetaninho, Octávio e Álvaro.

Construiu um “arranha-céus” em Mucela, no qual acrescentou, à última da hora, um andar para poder ver a Ponte de Mucela!

Seu irmão Amadeu, felizmente ainda vivo, grande empresário no Rio de Janeiro, com casa e Mucela, por vezes também aparecia para uma cartada.

FIGURAS

JOAQUIM FERREIRA


Também conhecido por Joaquim Moleiro que foi durante muitos anos. Na rotina das voltas que dava à sua freguesia gostava de dormir a sua soneca, já que a sua mula conhecia bem a rota.


Em determinada altura foi interpelado pela polícia de trânsito que o convidou a soprar o dispositivo determinante da percentagem de álcool no sangue. Negou-se alegando que a mula é que é que deveria ser testada, pois ele dormira toda a viagem!